Quem foi chamado como testemunha pode ter dúvidas sobre datas, nomes e documentos. Organizar essas informações ajuda na preparação, mas não transforma o depoimento em uma leitura de texto previamente elaborado.
O que diz o CPP?
O artigo 204 do Código de Processo Penal estabelece que a testemunha depõe oralmente e não deve levar o depoimento por escrito. Ao mesmo tempo, admite uma breve consulta a apontamentos. A distinção é importante: um apoio pontual à memória não equivale a apresentar uma narrativa pronta em substituição às respostas.
Como organizar informações sem combinar uma versão?
- Anote datas e referências que você consiga identificar, indicando de onde vieram.
- Separe aquilo que presenciou do que soube por outras pessoas.
- Não complete falhas de memória com suposições.
- Guarde documentos originais, sem alterar mensagens ou recortar trechos que mudem o contexto.
Se precisar consultar uma anotação durante o ato, informe essa necessidade e siga a condução da audiência. Não presuma que poderá ler continuamente um roteiro ou receber respostas de terceiros, inclusive por mensagens em uma videoconferência.
Documentos e anotações são coisas diferentes
Uma nota pessoal pode ajudar a localizar uma data; um documento relacionado ao fato pode ter finalidade probatória. A forma de apresentação de cada material deve ser conferida. Veja também como organizar documentos para análise jurídica.
Perguntas frequentes
Posso levar meu depoimento inteiro escrito?
A regra do CPP é o depoimento oral. A consulta breve a apontamentos não autoriza substituir o ato por uma declaração pronta.
E se eu não lembrar uma data?
Informe com sinceridade que não se recorda. Distinguir dúvida de certeza é parte de um relato fiel.
Posso conversar com outra testemunha para conferir respostas?
Não combine relatos. Leia a orientação sobre a separação das testemunhas na audiência criminal.
Fonte: Código de Processo Penal, artigos 203 e 204.
Renan Klein — OAB/PR 99.254. Conteúdo informativo; a situação concreta exige orientação própria.