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Vazamento de dados na empresa: o que fazer nas primeiras horas?

Um incidente envolvendo dados pessoais exige resposta rápida, mas não improvisada. Nas primeiras horas, a empresa precisa conter o problema, preservar evidências, identificar o alcance do evento e avaliar suas obrigações jurídicas. A ordem dessas medidas influencia tanto a proteção dos titulares quanto a capacidade de demonstrar uma atuação responsável.

Primeiro: conter o incidente sem destruir evidências

A prioridade técnica é interromper o acesso indevido, a exposição ou a perda de dados. Isso pode exigir o isolamento de equipamentos, a revogação de credenciais, o bloqueio de integrações ou a correção de uma vulnerabilidade.

Ao mesmo tempo, a empresa deve evitar apagar registros, formatar dispositivos ou alterar sistemas sem preservar cópias e logs relevantes. A destruição de evidências dificulta a investigação da origem, do período e do impacto do incidente.

Identificar quais dados e pessoas foram afetados

A análise inicial deve buscar respostas objetivas:

  • Quais sistemas, contas ou fornecedores estiveram envolvidos?
  • Que categorias de dados pessoais foram acessadas, alteradas, perdidas ou divulgadas?
  • Quantas pessoas podem ter sido afetadas?
  • Havia dados financeiros, credenciais, documentos, informações de saúde ou outros dados sensíveis?
  • O acesso indevido continua ativo?

Nem sempre todas as informações estarão disponíveis imediatamente. Por isso, é importante registrar o que já foi confirmado, o que permanece incerto e quais verificações estão em andamento.

Formar uma equipe de resposta

A resposta normalmente envolve tecnologia, segurança da informação, jurídico, encarregado de dados, gestão e comunicação. A definição de responsáveis evita mensagens contraditórias e decisões isoladas.

Quando o incidente envolve fornecedor, plataforma ou operador de dados, os contratos e os canais de comunicação também precisam ser revisados. A empresa deve documentar solicitações, respostas, horários e providências adotadas.

Avaliar se existe risco ou dano relevante

Segundo a regulamentação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, o controlador deve comunicar à ANPD e aos titulares quando o incidente puder acarretar risco ou dano relevante. A avaliação considera, entre outros fatores, a natureza e o volume dos dados, o contexto do tratamento, as medidas de proteção existentes e as consequências possíveis para as pessoas.

Nem todo evento exige a mesma resposta pública. Ainda assim, mesmo quando se conclui pela ausência de comunicação obrigatória, a análise e seus fundamentos devem ser registrados.

Prazo para comunicar a ANPD e os titulares

Nos casos sujeitos à comunicação, a regra geral prevista pela Resolução CD/ANPD nº 15/2024 é de três dias úteis, contados do conhecimento pelo controlador de que o incidente afetou dados pessoais, ressalvada a existência de prazo específico em outra legislação.

Se todas as informações ainda não estiverem disponíveis, a regulamentação admite comunicação preliminar, com complementação fundamentada posterior. A mensagem aos titulares deve ser clara, direta e indicar riscos, medidas adotadas e formas de obter orientação.

Manter o registro do incidente

O controlador deve conservar o registro dos incidentes de segurança com dados pessoais por, no mínimo, cinco anos. Esse registro deve reunir a descrição do ocorrido, data, causas conhecidas, dados afetados, avaliação de risco, medidas de contenção e fundamentos das decisões tomadas.

Erros que devem ser evitados

  • Demorar para envolver as áreas técnica e jurídica;
  • Apagar logs ou alterar equipamentos antes da preservação das evidências;
  • Divulgar conclusões antes de confirmar os fatos;
  • Comunicar titulares com linguagem vaga ou alarmista;
  • Deixar de avaliar obrigações contratuais e regulatórias;
  • Tratar o incidente apenas como problema de tecnologia.

Como reduzir o impacto de futuros incidentes

Planos de resposta, inventário de dados, controle de acessos, contratos revisados, treinamento e testes periódicos tornam a reação mais rápida e consistente. A prevenção também depende de governança, definição de responsabilidades e documentação dos processos.

Para situações que exigem coordenação jurídica e institucional, consulte investigações e situações empresariais sensíveis e a página de criminal compliance.

Fontes oficiais

Autoria: Renan Klein — OAB/PR 99.254
Revisado em: 31 de agosto de 2026.

Conteúdo informativo. A resposta adequada depende dos dados envolvidos, do contexto do incidente e das obrigações aplicáveis à organização.